sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Longe da velha opinião formada sobre tudo.

"Mas de vez em quando vinha a inquietação insuportável: queria entender o bastante para pelo menos ter mais consciência daquilo que ela não entendia. Embora no fundo não quisesse compreender. Sabia que aquilo era impossível e todas as vezes que pensara que se compreendera era por ter compreendido errado. Compreender era sempre um erro - preferia a largueza tão ampla e livre e sem erros que era não-entender. Era ruim, mas pelo menos se sabia que se estava em plena condição humana".
(Clarice Lispector)


Minha agonia de tentar entender e não querer descobrir-me é sem fim. Tal descoberta parece ser uma tarefa mais árdua que a de arrancar as memórias do coração, e esse ardor é que me faz recuar, então assopro.
Deve parecer tudo estranho, incompreensível ou quem sabe enigmático pra quem ler esse meu diagrama de palavras mal justificadas. Acontece que não existe justificativa alguma pro que quero uma vez que, nem eu sei o que é. É clichê isso de não saber o que se quer? Acho que sim, mas deve ser por causa da familiaridade que há pra mim.
Seria sensato que eu tentasse explicar uma mínima razão pra estar escrevendo agora. O que quero mesmo dizer é que não me reconheço bem e não me envergonho disso, é realmente uma escolha (como se houvesse).
Vou tentando entender, entendendo e desentendendo, e juro que isso não é um erro. A descoberta de cada sentir divergente é que me fascina e que me faz ser quem sou agora, diferente mais tarde. Assim, vou sendo sempre a mesma, diferencialmente igual daquilo que até tento entender, mas não quero compreender.

2 comentários:

Giovanna I. disse...

"A descoberta de cada sentir divergente é que me fascina e que me faz ser quem sou agora, diferente mais tarde. Assim, vou sendo sempre a mesma, diferencialmente igual daquilo que até tento entender, mas não quero compreender." Adorei! Beijos

Rebeca Amaral disse...

Ninguém sabe o quer. E isso não é clichê, pelo fato de ser natural. Um ser humano completamente decidido e cheio de certezas não existe.
A vida é assim mesmo, repleta de interrogações. Se preocupa não, você escreve porque as suas palavras encantam. Então, continue assim, viu.

Beijos.

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